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Nossos associados fundadores: Aercio Bitencourt

Aos 94 anos, Aercio Brasil Bitencourt tem na memória uma história de alegria na sua trajetória profissional na Light. É tão contente dessa trajetória que quis contar aos seus colegas aposentados. Aercio é um dos fundadores da APB participou dos primeiros debates para a redação do Estatuto.


Ingressei na Light em 1° de Março de 1944, como boy, auxiliar de escrita, na Seção de Contratos de Luz e Gás, chefiada por Frederico Pereira Gauz, vinculada ao Departamento Comercial, que era chefiado pelo engenheiro Jacob Ripper Nogueira. E por estranho que pareça, outros dois engenheiros, Edgar de Amarante e Plínio Segurado Pinto, chefiavam outras seções do mesmo Departamento.

Me aposentei em 30 de Junho de 1986. Foram 42 anos, 3 meses e 24 dias de satisfação, felicidade e orgulho de pertencer a família lighteana, sempre em contato com o público, do primeiro ao último minuto de trabalho.


Tudo que sei até hoje foi adquirido através das amizades que fiz na Light. Levava como bagagem a educação familiar, preponderante para trabalhar numa empresa de utilidade pública. Foram anos dourados, fiz amizades dentro e fora do Departamento Comercial, que se prolongaram depois de aposentado.


Para entrar na empresa, fui orientado a procurar o Departamento de RH, que funcionava num corredor estreito, quase ao lado do Palácio Itamarati, com uma entrada totalmente independente da entrada principal. Esse Departamento era chefiado por um dos Seroa da Motta (pode ser o avô ou pai da Selma Cristina de Oliveira Seroa da Motta, ele era alto e moreno), fiz uma prova e fiquei aguardando ser chamado.

Passou-se mais de um mês, e como não respondi a um dos telegramas enviados pela Light – que não chegaram em minha residência – uma funcionária da Secretaria do Departamento Comercial, de nome Olívia, residente no Cachambi, bairro mais próximo de onde morava, foi destacada para me comunicar a grande notícia de que eu havia sido aprovado. Feliz da vida, no dia seguinte me apresentei, fiz exame médico e comecei a trabalhar.


Me lembro, como se fosse hoje, da sigla de cada nome de todos os 91 funcionários. Mr. Cordery, era o único estrangeiro, canadense. Dele recebíamos os materiais de escritório, com destaque para as lapiseiras de fabricação canadense: quem as perdia (ou dizia ter perdido), ficava sem.


Para os atuais funcionários terem uma ideia do que era a amizade existente entre nós, cito um exemplo marcante. Um dos nossos encarregados, Hilário Ribeiro se aposentou logo depois que entrei. Sem que ele soubesse, nos cotizamos e compramos para lhe presentear como recordação, um relógio de ouro de marca Patek Philippe, com uma inscrição numa das duas tampas. Ele emocionado com a homenagem no final do expediente, chorando copiosamente, agradeceu dizendo que aquele relógio marcaria as horas de alegria e prazer que teve naqueles 40 anos de saudável convivência.

Aquilo me marcou profundamente. Dizia eu, para comigo: “será que eu vou trabalhar 40 anos?”

Pois eu poderia – e deveria – ter trabalhado mais uns três anos, como o Dr. Rubens Pereira dos Santos, com quem eu trabalhei diretamente durante muitos anos, tentou me convencer.


Voltando no tempo: fui designado para estrear o primeiro atendimento por telefone, o famoso PDS, pedido de desligamento.

O Centro de Processamento de Dados era a grande novidade, um maquinário enorme. E tínhamos na nossa Seção o serviço de holerite, onde perfurava-se cartões com o nome do consumidor, endereço etc., para emissão dos comprovantes de pagamento. Havia vários caixas em toda frente do salão para atender os consumidores no pagamento das contas de luz.


Àquela época tínhamos três restaurantes, assim divididos: dos Diretores e Chefes, em que era obrigatório o uso do paletó, com cardápio; dos funcionários, que inicialmente eram atendidos pelos garçons, mas logo passou a ser bandejão; e o popular China, onde era servido uma deliciosa sopa de entulho. Eu cheguei a frequentar os três restaurantes, mas a sopa do China era imbatível.

Aercio Bitencourt e sua família – esposa, filhos, filhas e neto.

A Light nos proporcionava lazer com um Ginásio e quadras de tênis e campo de futebol na Rua Barão do Bom Retiro e Rua José do Patrocínio, no bairro do Grajaú. No Ginásio além dos jogos de basquete, aos Sábados à noite, memoráveis bailes sob a batuta de Severino Araújo.

Tínhamos nossa maravilhosa Biblioteca e um Salão de Jogos que servia também para leitura.


Na Baixada Fluminense, ao longo de 14 anos de trabalho, ajudei e orientei muitos funcionários a estudarem eletrotécnica ou ingressarem na Faculdade de Nova Iguaçu. Consegui transferir muitos funcionários da Conservadora Fluminense para os quadros da Light.


Sempre fui fiel aos meus colegas. Até às viúvas dos meus amigos que acompanhei até o fim, orientei de como deveriam proceder para receber a pensão junto ao INSS, o benefício de um ano do plano de saúde após morte do cônjuge, e do seguro de vida.


Nesses meus 94 anos, aprendi que "não morremos entanto vivermos nos corações de quem deixamos para trás."


Eu ainda me lembro de todos. Eles só morrerão quando eu morrer.

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