Vencido o preconceito, idosos aproveitam benefícios da bengala

(Natália Cancian, para a Gazeta do Povo - atualizado em 02/01/2012)

Instrumento, que serve como apoio, ajuda a prevenir as quedas, mais comuns na terceira idade

Anna Kozuk resistiu o quanto pôde ao uso da bengala: só aderiu por causa de uma prótese. Hoje, aos 84 anos, já não se vê

sem a companhia do instrumento de alumínio na mão esquerda. “Às vezes saio sem bengala, e parece que eu estou caindo”, conta.

O aposentado Luiz Rosaldo Cardoso, de 75 anos, começou a usar o apoio há 20 anos. E não tem planos de largar. “Se eu não usar a bengala eu não tenho equilíbrio no corpo”, relata.

Embora os relatos de Anna e Luiz sejam positivos, a bengala ainda divide opiniões dos idosos. Para driblar a visão negativa a respeito do equipamento, o presidente da seção paranaense da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-PR),Rodolfo Alves Pedrão, costuma lembrar aos pacientes que, além da necessidade de usar por uma questão de apoio, a bengala pode ter ainda um caráter de elegância. “É um acessório, mas com benefícios”, explica.

Segundo o geriatra, as principais vantagens do uso da bengala são a diminuição do risco de quedas e na melhoria da segurança e conforto ao caminhar. O equipamento é indicado para pessoas que têm problemas de equilíbrio, sofrem de doenças ósteo-mio-articulares e musculares ou possuem algum tipo de sequela nas articulações. “Se o idoso está com dor para caminhar, ou se recuperando de uma cirurgia, ele vai ter mais conforto com a bengala”, afirma.

Quedas

Aos 85 anos, Azize Malucelli não imaginava que viria a utilizar a bengala um dia. O que a levou a adquirir uma é o mesmo de pelo menos outros 30 mil idosos: as quedas.

“Atualmente uma das importantes abordagens da fisioterapia junto ao idoso é a prevenção de quedas”, alerta o gerontólogo e fisioterapeuta Francisco Zanardini, que costuma recomendar o uso de bengalas a alguns pacientes. Segundo ele, em situações de redução da força muscular, perda de equilíbrio ou doenças degenerativas dos membros inferiores, a bengala pode ter função complementar ao tratamento. “O uso da bengala pode ser associado às diferentes terapêuticas impostas”, diz. Três meses depois de ter caído, Azize garante: “Agora eu já estou bem melhor”

Apoio que virou esporte

Um exemplo prático dos benefícios da bengala veio da Finlândia. É a caminhada nórdica ou caminhada com uso de bastão. A técnica utilizada originalmente para facilitar a locomoção na neve foi transformada em esporte, e trazida para o Brasil em 2002. Logo passou a ser uma das atividades preferidas entre os alunos com mais de 60 anos do professor Felipe Lauriano Leme. “Nessa idade, as pessoas tendem a ter uma postura prejudicada”, explica. Além do apoio durante a caminhada, o exercício com bastão melhora a postura e fortalece braços e pernas. A diferença da bengala é que os praticantes da caminhada nórdica utilizam o apoio de dois bastões. “Os benefícios são maiores”, afirma o professor, “e o esforço também.

Escolha certo

Enquanto muitos hesitam em usar, colecionadores de bengalas buscam modelos diferentes. Uma das coleções mais representativas foi a do ex-deputado paranaense Aníbal Khury, que chegou a ter mais de 200 bengalas. Mas, no dia a dia, quem foi aconselhado a utilizar a bengala só precisa mesmo de uma delas. Confira algumas dicas antes de comprar a sua e não esqueça de respeitar sempre a recomendação médica:

Tipos

O fisioterapeuta Francisco Zanardini alerta para a diversidade de tipos desse equipamento. “Basicamente as bengalas são feitas em madeira ou alumínio, fixas ou reguláveis em sua altura, com cabos de apoio da mão curvo, tipo “T” ou personalizados, com apoio único ou suplementar de 4 pontas”.

Altura

“Não basta ir à loja e comprar uma bengala. Tem que regular a altura, saber em que mão vai utilizar”, avisa o geriatra Rodolfo Pedrão, que ressalta a importância de um auxílio profissional. Segundo ele, a bengala deve estar na mesma altura do fêmur e deve ser segurada no lado contra-lateral à lesão.

Borracha

Ainda de acordo com o geriatra, a regularidade da troca da borracha de cada bengala depende do desgaste e dos locais onde a pessoa vai caminhar. “É interessante que a pessoa sempre esteja atenta para que a borrachinha esteja bem aderente ao piso”, explica.

Preço

Com exceção dos modelos artesanais, os preços de cada bengala variam entre R$ 29 e R$ 75, na Chapelaria Alberto (R; Buenos Aires, 73 - Centro Rio de Janeiro), conforme o material utilizado na fabricação.

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