A Atividade Física na Melhoria da Memória do Idoso – 2

(APBinforme, novembro 2010)

O envelhecimento do corpo humano é acompanhado de declínios. Esse processo é natural, universal e irreversível. Com o tempo, todos nós temos perdas de algumas habilidades intelectuais, e somente em alguns casos essa deterioração evolui para a demência (que é uma doença e merece atenção e cuidados especiais).

Todos, em algum momento, já esquecemos de coisas: onde colocamos os óculos, as chaves da casa, se pagamos uma conta ou trancamos a porta, e também esquecemos de acontecimentos importantes como um aniversário importante, um compromisso com um amigo etc. Quando ocorrem com adultos e jovens, são bem aceitos, fazem parte do cotidiano – não dá mesmo pra lembrar de tudo o tempo todo. Porém, quando esses fatos acontecem com gente mais velha, a coisa muda. E surgem os estigmas que os idosos não deveriam ter que suportar.

Quanto à demência: estudos mostram que 54% das pessoas com mais de 65 anos se queixam de dificuldade de memória, mas apenas 12% admitem que essa complicação prejudica no dia-a-dia. Isto indica que, embora a reclamação seja frequente, não implica necessariamente em demência. Por exemplo, a redução da visão e da audição – perdas normais com o decorrer dos anos – também contribuem na queda do desempenho da memória.

Pessoas mais velhas lamentam esquecer fatos recentes, mas podem descrever com riqueza de detalhes de episódios ocorridos na infância. Isso se deve, provavelmente, à carga emocional de cada acontecimento. A pessoa se lembrará melhor de fatos com forte apelo emocional: momentos alegres da infância, os amigos, um aniversário, um dia especial na escola, brincadeiras nos quintais e assim por diante; e também lembrará dos fatos ruins com carga emocional.

É do declínio da memória recente que vêm as reclamações de não se lembrar de trechos de conversas ou de onde estão as chaves. Porém outras áreas da memória costumam se manter bem preservadas, como o vocabulário, o manejo de aparelhos e a definição de conceitos (saber explicar uma coisa, por exemplo), pois são mais sedimentadas no cérebro.

Porém, quando os esquecimentos deixam de ser habituais e já não é suficiente compensá-los com artifícios (como anotar os recados, agendar os compromissos etc.), passando a dificultar as atividades do cotidiano, aí sim é caso de preocupação. É o momento de procurar ajuda médica.

Ao perceber que a memória está diminuindo, não faça como a maioria, que acha que é “coisa da idade”: procure um médico – um geriatra – para um diagnóstico mais apurado.

Atividade Física e a Memória no Idoso

São muitos os aspectos positivos da relação entre atividade física e o processo de envelhecimento: a melhora do auto-conceito, da auto-estima e da imagem que temos do nosso próprio corpo; a diminuição do estresse e da ansiedade; a melhora da tensão muscular e do sono; diminuição do consumo de medicamentos e muito mais.

Se uma pessoa permanecer com boa saúde, é difícil que ela demonstre perda de função cognitiva antes dos 80 anos de idade. Como função cognitiva entende-se as fases do processo de informação tais como: percepção, aprendizagem, memória, atenção, vigília, raciocínio e solução de problemas. O funcionamento psicomotor, abrangendo tempo de reação, tempo de movimento e velocidade de desempenho, também é incluído nesse conceito.

A maioria dos efeitos do envelhecimento acontece por imobilidade e má adaptação do organismo humano a determinadas situações e não por causa de doenças crônicas. O exercício físico provoca uma reação no organismo, forçando-o a promover ajustes em diferentes sistemas do corpo – circulatório, nervoso, respiratório etc.

Por exemplo, andar continuamente e com uma velocidade maior do que a normal. Para acomodar o corpo a essa nova situação, algumas glândulas produzem hormônios neurotransmissores que têm como tarefa ajustar o corpo humano a essa condição – estar andando depressa – mas que também contribuem para a regulação da memória.

(É como a gente tomar sorvete porque é gostoso. Mas como ele é gelado, também reduz a temperatura corporal. Junta o útil ao agradável.)

No próximo artigo começaremos a apresentar algumas sugestões de atividades físicas e a explicar como elas agem sobre nosso organismo – a exemplo da produção e liberação dos hormônios – para melhoria da nossa memória. É muito importante entender o que estamos fazendo. Quando entendemos, sempre fazemos melhor. Até lá!

Prof. Me. Maria Valéria Padilha Fernandes Rolim

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